sábado, 22 de junho de 2013

Ode e Réquiem aos movimentos democráticos no Brasil

A pluralidade de reivindicações no cenário nacional e mundial demonstra como a estrutura política e econômica - com destaque ao século XVII e o ano de 1989 - tornam-se fragilizadas e incapazes de trazerem respostas satisfatórias para a demandas sociais, culturais, jurídicas, educacionais, científicas, tecnológicas, políticas e econômicas do século XXI. Aliás, as respostas são rarar e devem ser evitadas, caso tenham a pretensão de salvar alguém de alguma coisa. Tenho insistido, a partir das leituras de Bauman, que a Responsabilidade é um vínculo cada vez mais líquido. Junto com essa expressão, outras têm o mesmo caráter contribuindo para que o diálogo entre as diferenças plurais desapareça. Explico o porquê desse "não-existir. O espaço democrático é o lugar no qual consegue-se expressar todas as formas de reivindicações. Esse fenômeno pode ser constatado recentemente em todo Brasil com o apoio de outras nações ao redor do território terrestre. Essas demandas se tornam válidas e legítimas, especialmente quando mostraram sua natureza pacífica de protesto. Os gritos que entoam as ruas estão cansadas dessa violência - especialmente econômica - proposta para uma vida camaleônica, ou seja, deve-se satisfazer critérios (regras) de vida social, de conteúdo mercantil, os quais tornam impossível - e esse é o termo - manter uma possibilidade de vida sem que, a todo momento, exige-se a satisfação dessas regras para se ter um momento de estabilidade. Ninguém conseguirá, por muito tempo, manter esse "vai e vem" dentro dos diferentes grupos sociais. Outro ponto o qual merece destaque: a Democracia tem como ponto fundamental a diferença. Quando se menciona "somos complementares" significa que admite-se a diferença como ponto de transformação humana, contudo, no Brasil, diferenças são transformadas em desigualdades sociais, o que dificulta, ainda mais, o desejo de se encontrar uma "unidade nacional". Não sejamos ingênuos: a recente adoção democrática no Brasil apenas demonstra sua imaturidade, fragilidade e incapacidade de resolver, sob o ângulo democrático, os seus problemas. A via mais rápida, ainda, é a eliminação da incerteza, dos problemas, do "lado feio da vida". Herança própria da desconfiguração do espírito original do movimento iluminista. A Democracia lida, sim, com a expressão "unitas multiplex", ou seja, a unidade somente surge por meio da diversidade. É essa diversidade que não foi respeitada por NINGUÉM, seja Sociedade, Governo ou Estado. TODOS foram indiferentes às dificuldades que caracterizam os vínculos de convivência porque estamos, TODOS AINDA, afetados por um estilo de vida o qual prega o uso da LIBERDADE COMO PRINCÍPIO ABSOLUTO desprezando-se qualquer forma de RESPONSABILIDADE. Por esse motivo, os movimentos que estão no Brasil inteiro é fruto, sim, da ausência de TODOS, mas que começa se manifestar (existir, na linguagem filosófica) porque a vida não se tornou insustentável, porém INSUPORTÁVEL. A figura dessa postagem sugere a ausência do Rosto. O caráter incontível dos movimentos. Essa natureza fluída das reivindicações é algo positivo porque se mostra acima de qualquer necessidade exclusivamente nacional. Expõe o perigo que vida se encontra a torna mais fecunda a necessidade de se estreitar o nosso vínculo antropológico comum, o qual é transfronteiriço, planetário. O Rosto é necessário e, para Lévinas, esse não tem traços de identidade, tais como cor dos olhos, cor da pele, sexo, opção religiosa, entre outros. Percebe-se pelo Rosto a epifania da Condição Humana e a primeira condição para o exercício político da Fraternidade. Essa característica, aos poucos, se torna visível e nos tornamos mais responsáveis uns pelos outros. Eis o Ode à Amizade, o qual Beethoven já mencionava na sua nona sinfonia. Entretanto, a vida é uma tragédia e precisa destacar, também, o seu caráter negativo. Receio que o entusiasmo dos movimentos se perca na medida em que não se trabalhe, continuamente, todas as mazelas democráticas. A reinvenção das relações humanas, todos os dias, é um aspecto fundamental para a preservação da Democracia, envolvendo todas as suas dificuldades. Não se pode encontrar o "salvador da pátria". Essa figura mítica não existe, porém insiste em se manifestar para se livrar do peso causado da nossa Responsabilidade uns pelos outros. É na irresponsabilidade que se encontra as causas para se legitimar fundamentos de preservação da Dignidade. Todavia, se todos voltarem para suas "vidas normais", preocupados em satisfazer seus desejos pessoais sem notarem que esses desejos jamais serão plenamente realizados, todo esse movimento, o furo, a reivindicação será apenas, como afirmava Platão, um nome vazio travestido de Democracia. Eis o Réquiem entoado (e apropriado) para os movimentos democráticos que se fazem presente em toda nação.      

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