sábado, 2 de fevereiro de 2013

A profunda sensibilidade humana

Desde o final do ano de 2010, minha solidão espiritual tem se acentuado pelas perdas de seres humanos inesquecíveis próximos a mim. Perdi meu pai, o Professor Dr. Osvaldo Ferreira de Melo e, agora, a Professora Dra. Maria da Graça dos Santos Dias. O referencial teórico, a sensibilidade de vida, a ternura que expressava em cada ação são o meu legado. Pesquisadora crítica. Formada em Serviço Social e Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina. Professora do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Ciência Jurídica da Universidade do Vale do Itajaí - UNIVALI. Lembro-me, como se fosse hoje, no ano de 2005, quando comecei a falar com a referida Professora sobre minhas opiniões sobre o Direito, a sua importância frente à Sociedade, a indispensabilidade de ser pensado no (e com) o social, sem, jamais, esquecer o Ser humano. Todos os referentes teóricos que utilizo em minhas pesquisas são frutos de minha irrestrita gratidão a tudo o que ela me proporcionou. As lições de Política Jurídica, as lições sobre o Imaginário, sobre a Sensibilidade, os debates sobre Morin, Maffesoli, Mounier, entre outros. Chamou-me, certa vez, para um café na praia brava com o Professor Dr. Warat e outros pesquisadores. Que tarde memorável, agradável e rica em diálogos, sorrisos e amizade. Memórias afáveis nas quais tento, com todas as minhas forças, guardar para a eternidade, mas eu seria hipócrita em querer fazê-lo. Minha finitude não o permite, mas ainda fortifica meu espírito. As aulas do Doutorado com Kant e Husserl. Sinto-me um estudante. Essa qualidade, aliás, é indelével de meu espírito porque me permite, continuamente, ser genuinamente humano. Os cafés que tomava em sua residência debatendo sobre minha Dissertação de Mestrado. As recomendações de filmes para se utilizar em sala de aula. Uma delas uso até hoje: "O Segredo de Beethoven". Muitas saudades e um coração apertado. A Comunidade Jurídica Científica perde uma Pesquisadora de qualidade ímpar no seu pensar. E eu....perdi uma mentora, uma amiga de tantas conversas e o carinho de um Ser humano inestimável. Qualquer adjetivo que use para descrever a humanidade infinita da Professora Dra. Maria da Graça dos Santos Dias seria vazio porque o seu exemplo de vida, de fé, dispensa a lógica de significantes e significados. A ordem a linguagem não consegue expressar a totalidade da vida que transbordou nesse ser humano inesquecível. Ficamos mais órfãos. A Educação Jurídica tornou-se menos sensível aos apelos silenciosos pela reivindicação de sua humanidade. Essa solidão doída, aos poucos, é ruminada como consolo - porque a dor da perda jamais passará cessará - naquilo que meu Tio - Professor Dr. Marcelo Fernandes de Aquino - certa vez me falou sobre a passagem de meu Pai deste mundo: Perdemos os nossos referenciais e, aos poucos, nós nos tornamos os referenciais para outras pessoas. Se assim o for, levarei na íntegra tudo o que aprendi com a Professora Dra. Maria da Graça dos Santos Dias: a ter esperança de que o improvável se manifeste e transforme a vida de todos no seu próprio tempo. Obrigado minha mentora, minha amiga, resta-me apenas caminhar, aprender e saber que sempre estarás com todos nós.    

3 comentários:

  1. Nossa, Sérgio, acabei de encontrar este teu texto fazendo umas pesquisas sobre minha mãe. Segunda, às 18h30 é a missa dela, no Catarinense. Gostarias de ler este texto lá? Beijo, Michelle

    ResponderExcluir
  2. Cara Michelle, é um texto simples, de cumplicidade, mas seria uma honra para mim fazê-lo. Abraços extensivos ao Túlio e sua esposa.

    ResponderExcluir
  3. olá, Sérgio!
    Você tem um e-mail de contato? obrigada!

    ResponderExcluir