domingo, 25 de dezembro de 2011

Natal: época para se refletir sobre a condição humana

Novamente, chegamos ao momento de reflexão sobre o sentido do Natal. E, mais uma vez, indago: o que todos nós - eu e vocês, caros leitores e leitoras - fizemos para nos tornamos mais humanos, mais afetuosos, solícitos, enfim, o que fizemos para nossa transformação? Talvez, a resposta seja: muito pouco. Esse muito pouco, sob ângulo de uma visão eficientista, pode representar nada ou quase nada, mas é fenômeno o qual descreve bem nossa caminhada de humanidade. O horizonte daquelas qualidades as quais se revelam como indispensáveis à todos não podem ser esquecidas, tampouco serem consideradas simplistas. Essa desconsideração pelo humano geraram (e ainda geram) várias formas de violência, de arbitrariedades as quais tornam o con-viver, muitas vezes, insuportável. Sem os exageros antropocêntricos habituais, é possível permitir uma aproximação mais gradual frente à incerteza que é o Outro. A abertura dialogal entre as religiões pode ser um bom caminho para essa visualização humana desprovida da postura egocêntrica que tenta dominar uns aos outros (Homo economicus). Pode-se, historicamente, conferir a autoria de várias atrocidades contra a Humanidade a partir das ações promovidas pela Igreja Católica, mas, ao mesmo tempo e de modo paradoxal, essa foi responsável por diminuir o alto cenário de barbáries as quais ocorriam na Europa do século XII ao XVII. O exemplo mais clássico dessa postura de humanização está em São Francisco de Assis. A humildade de sua postura frente a TODAS as crituras, sua devoção amorosa ao espírito cristão renovaram a promoção dessa compreensão humana. Precisamos, do mesmo modo como Assis, termos fé perseverante nas utopias carregadas de esperança (Osvaldo Ferreira de Melo). A profundidade oceânica (Leonardo Boff) desse sentimento se revelam como as boas novas capaz de tornar a realidade improvável na desejável. Por esse motivo, tal como sinalizava Morin, precisamos nos armar com uma paciência fervorosa. A re-significação do Humano frente ao cenário de que nossa humanidade esmaece diante do alto consumo. Não somos sujeitos uns perante os outros, mas objetos os quais podem ser manipulados para satisfazer nossos desejos infinitos. O Natal é momento de reflexão e, ainda que, tenhamos feito pouco, é possível que esse pouco seja um mergulho para se compreender esse oceano de significações chamado Ser humano. Rumemos, portanto, para uma sociedade mundial pautada por critérios os quais permitam o florescer das utopias originárias: a vontade de tornar o improvável o solo fértil dos nossos sonhos de paz, desenvolvimento e fraternidade.

2 comentários:

  1. Caro George, tenha espaço como sua casa, sempre ajude-o a contruir e torná-lo melhor.

    Forte abraço.

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