domingo, 27 de novembro de 2011

O significado do silêncio da vida cotidiana


A vida, do modo como tem se revelado a todos, pode ser, muitas vezes, espaço de opressão, depressão, desumanidade, pobreza - material, cultural e espiritual. É o retrato da incompreensão de nossa humanidade. Substituem-se valores fundamentais, especialmente a Vida, por outros mais simples, rápidos, eficientes e utilitários. Necessita-se, a todo custo, satisfazer a infinitude do ego. Para os céticos, as utopias são impossíveis, não passam de devaneios humanos. Na verdade, quando paramos, respiramos e olhamos o mundo ao nosso redor, percebemos a fragilidade e fugacidade da vida. No subterrâneo do cotidiano, existe o som do silêncio. A referida melodia mostra o signifcado da tragédia humana. Não se refere à tragédia como algo exclusivamente negativo, mas demonstra-se a nossa natureza de transitar entre o belo e feio, certo e errado, a virtude e o vício. O silêncio do cotidiao nos mostra a capacidade de transformação humana, embora nem sempre estamos atentos às suas demonstrações. Mergulha-se na sobrevivência, ouve-se apenas o que as pecepçoes utilitárias demandam e se esquece que a Vida jamais pára. Essa é a evidência de nossa limitação enquanto seres humanos. Entretanto, insistimos que o mundo ao nosso redor não muda. As ideologias dominantes perduram. Insistem em trazer cenários de subdesenvolvimento, mas não sabem que seus conteúdos desumanos não se eternizam. Nesse silêncio, existe espaço à diferença como elemente do agregação, integração e não segregação. Não existem marcos históricos definitivos os quais afirmem: "a partir desse momento a humanidade mudou". Ao contrário, a mudança ocorre todos os dias, todo momento, mas não nem sempre vemos, ouvimos ou percebemos sua existência frente à indiferença na qual marca a vida de todos os dias, contudo, as mudanças desejadas estão presentes naquele espaço despercebido, silencioso. O Direito, a partir de sua acepção cultural, não fica à margem dessa condição. Busca-se sua metamormofose como modo de trazermos perspectivas mais humanas, que retratam modos originários e genuínos de convivência. Esse fenômenos, ao garantirem desenvolvimento razoável sobre a condição de Ser humano, será preservado pela Norma Jurídica. No entanto, as manifestações humanas as quais ocorrem sob a égide do silêncio são desprezadas. Fala-se em Direitos Sociais, Direitos Humanos Fundamentais, Afeto, Justiça, Ética, Alteridade, entre outros, todavia, esses são apenas discursos. As práticas dessas categorias vivenciais são negligenciadas porque o Outro é o estranho o qual merece ser eliminado. Os interesses particulares ainda são (demasiadamente) privilegiados. A Felicidade não pertence à ordem comunitária, política, tal como descreve Aristóteles. Felicidade é algo que pertence à eterna satisfação de meu ego. O círculo completa, novamente, mais uma volta de 360 graus. E ainda acreditam que somos civilizados e avançamos rumo ao progresso. Será? Caso esse cenário não seja vivido e compreendido, as utopias continuarão céticas e cegas, continuarão a ser caracterizadas como impossíveis. Fico aliviado porque a brisa e a melodia do silêncio continuarão a serem entoadas, ainda que o Ser humano obstaculize as mudanças na vida de todos os dias. O improvável, a esperança, toma forma contra a vontade, o arbítrio de se estagnar a vida e submetê-la à voracidade inifinita do ego. Esses são os ventos silenciosos de renovação contra a solidez amorfa da ignorância.

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