terça-feira, 18 de janeiro de 2011

2011: um ano para se refletir sobre os devires humanos


A ansiedade tem sido minha fiel companheira há anos. Tenho muito a agradecer por sua presença constante, embora saiba de seus malefícios à minha saúde física e mental. Pela ansiedade surge a angústia e, como diria certa vez o Professor Dr. Lenio Streck a uma de minha indagações, isso é sinal de vida, de movimento, de inquietação frente a qualquer forma de estagnação, especialmente de idéias. Essas reflexões, junto com as experiências obtidas no ano de 2010, me conduzem a crer que 2011 comece a, cada vez mais, se tornar o espaço da fraternidade, do acolhimento, de exergar o Ser humano pela sua humanidade. Reconheço que se trata de uma tarefa difícil - quase impossível -, mas o s fenomenos mundiais demonstram um ponto de saturação peculiar quanto ao nosso modo de vida em qualquer canto do globo. As descobertas científicas, com destaque para as médicas e biológicas, mostram novos campos de aumentar a expectativa de vida com melhor qualidade, não obstante esteja carente de reflexões sobre suas utilizações com relação ao Ser humano como valor fundamental. A Ética, nesses campos do conhecimento, ainda é o horizonte distante. Por esse motivo, não tem como falar em dever, em estrito cumprimento a um comando objetivo, atemporal, universal. O ano de 2011 precisa complementar essa tradição que se perpetua na cultura humana e imaginar (esse é o verbo) os devires nos quais pulsam na vida cotidiana. Esses são os epicentros das mudanças utópicas. A Condição Humana se torna evidência de modificação quando contemplada pelo que é, ou seja, pela sua falibilidade, erros, acertos, tentativas, enfim, tudo aquilo no qual se mostra contrário a esse ideário apolíneo da Modernidade. O gérmen para uma Medicina, Direito, Engenharia (sim, as Ciências Exatas não escapam), Magistério, Enfermagem, Administração, Fisioterapia, entre tantas outras profissões começam por se desenvolver relações humanas apropriadas, de reconhecimento sobre o que é a Pessoa. A partir dessa tomada de consciência, aperfeiçoa-se o agir e pensar humanos - inclusive na seara profissional - para se chegar, aos poucos, aos novos arquipélagos de esperança, como diria o Professor Dr. Herrera Flores. Reitero: a utopia de outros patamares de vida chegam pelas reflexões e ações daquilo que somos todos os dias. 2011 tem tudo para ser esse terreno fértil para se plantar e (a)colher ponderações mais humildes sobre nosso atual estar-junto uns com os outros. As reportagens tem demonstrado que existem outros planetas semelhantes à Terra, mas, questiono: é necessário - e mais fácil - abandonar tudo e começar outra vida em outro lugar? Pensemos a respeito...

2 comentários:

  1. Se a utopia é a imaginação do futuro, a nostalgia é a imaginação do passado, disse certa vez Octavio Ianni.

    Concordo assim que esse sonhar deve colonizar a razão, de modo que brote o afeto.

    Mas entre as necessárias ilhas de possíveis futuros e os continentes presentificados pela miséria atual, reconheço também que essa talvez rediviva utopia deve ter os pés completamente fincados no chão para não soar arrogante frente ao desgaste de uma civilização que enredou-se na sua extremada tecnicidade.

    Prossigamos na luta.

    Fraterno abraço,

    Eduardo.

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  2. Caríssimo Eduardo

    Tens toda a razão. Nenhuma utopia deve ficar adstrita à dimensão da pura razão ou ideal. A utopia desvinculada do mundo da vida e de seus aspectos mais elementares torna-se símbolo de violência ao invés de esperança. Aliás, esperança não pode ser confundida com passividade, mas ação que propaga esse bem-viver fraterno desejado por todos. E vamos em frente.

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