domingo, 31 de outubro de 2010

Charles Taylor e a questão ética sobre as minorias



Charles Taylor, Filósofo Canadense, estava certo quando esboçou suas idéias sobre a Ética da Autenticidade. Essa condição teórica política poderia revelar, num primeiro momento, tal como ocorreu quando li o título da obra, que a Ética revelaria aquilo que Boaventura chama de emancipação civilizatório. A minha opinião ainda é a mesma. A Ética revela-se como critério pacífico mínimo de coexistência. Entretanto, Taylor expõe o que viria a ser essa autenticidade e de que modo nós podemos verificar sua existência na vida de todos os dias. Como se sabe, a categoria Ética destina-se a um propósito bom, estreita as relações humanas tornando-as harmoniosas e saudáveis. Contudo, a sua elaboração, inclusive como identificação de um Povo, depende dos juízos de valores nos quais manifestam-se todos os dias e tem a capacidade nos orientar e integrar. É nesse momento que pode-se desvirtuar a ação ética sem considerar a clássica lição aristotélica de que é na perene reflexão ética que está nossa morada habitual. Esse desvio ocorre porque pensa-se de modo utilitário. Numa frase: "o que eu ganho com isso?". O típico modo de pensar ocidental retira a ética como ação espontanea para determiná-la como uma meta, objetivo a ser alcançado. Quando esse fenômeno acontece, o espírito bom, em oposição ao mau, perde completamente seu significado original. Percebe-se, portanto, que a Ética, conforme aquela expressão popular, é uma faca de dois gumes. Os valores negativos e utilitários também podem se tornar um referencial ético quando TODOS acreditam que podem GANHAR - materialmente falando - algo ao criarem orientações de vida coletiva na qual suprime-se o Outro diante de cada consciência. Essa seria uma primeira forma de compreender a dupla identidade do fenomeno ético. Pode-se agravar esse quadro? Como tudo na vida, claro. A autenticidade revelada por Taylor não significa, em absoluto, algo que se desvele como BOM, mas o privilégio da diferença alheia em detrimento de TODOS. É necessário compreender a diferença como elemento de aperfeiçoamento humano e social? SIM. Todavia, sob o ângulo do pensamento utilitário - novamente -, a diferença aparece como de se segregar as relações humanas e esmaecer, aos poucos, os espaços públicos. Aquela voz interior, aquele CHAMADO DO DESTINO NO QUAL TEMOS QUE CUMPRIR, do qual já mencionava Johann Gottfried von Herder no século XVIII, gera essa dificuldade de se aproximar das diferenças porque enaltece-se os egos. Relembrando as lições de Warat, pode-se utilizar a metáfora da xicara de chá. Quando a xícar está cheia, transbordando, é impossível você compreender algo quando se tem excesso de opiniões, informações, vaidade, conhecimento, entre outros. É necessário, muitas vezes, esvaziar a xícara para se dirigir generosamente ao Outro. A atitude envolver certo grau de morte e descontrução daquilo que somos, mas é quando estamos despidos do orgulho que entendemos o significado de Ser humano. Portanto, a autenticidade percebida como diferença que segrega impõe um modo de vida que rompe com qualquer convite evidenciado no cotidiano. A diferença se torna o patamar da discórdia ao contrário da concórdia. No Brasil, percebe-se, cada vez mais, da manifestação das minorias e o ganho democrático no qual se tem com sua proteção. Efetiva-se, mais e mais, o desenvolvimento do Pluralismo Jurídico, sempre citado pelo Professor Dr. Antonio Carlos Wolkmer. No entanto, e a partir das observações de Taylor, é necessário que possamos verificar in locu como as minorias estão reagindo a partir dessas medida legais de proteção à sua existência. Sua presença no mundo deve ser exemplo para remorar todas as pessoas das condições benéficas propostas pelo diálogos entre os diferentes egos e como nos RE-encontramos e DES-cobrimos nossas imperfeições e incompletude humanas. O que precisamos evitar, junto a essas pessoas também, é a manifestação do grupo para privilegiar sua DIFERENÇA ante cada Ser humano. Essa seria, igualmente, outra forma totalitária de violência contra a Condição Humana. No momento em que a Ética proporciona essa LIBERTAÇÃO dos interesses egoístas e nos conduz a outro patamar de vida mais civilizatório, teremos, relembrando o pensamento de Platão, uma bela obra de arte que satisfaz tanto os olhos do corpo quanto os da alma. Para os meus queridos juristas de plantão, esse é o fundamento ELEMENTAR do DIREITO QUE SE CONSTITUI NO SÉCULO XXI.

2 comentários:

  1. Que belo achado teu blog! A profusão de ideias, fundamentadas, me faz fixar. Te sigo daqui.

    ResponderExcluir
  2. Cara Maria Janice.

    Sinta-se em casa. Esse é o espaço para a gente contemplar e praticar o significado de viver.

    Abraços

    ResponderExcluir