quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O tempo, o movimento dialético e a finitude humana...



Se as pessoas não são capazes de nos mostrar quem nós somos ao longo de nossas práticas existentes (Lévinas), por motivos de Cuidado, Educação ou mesmo por pura desnecessidade do Outro, talvez, o Tempo seja quem consiga revelar, com razoabilidade e paciência, o significado de nossas trajetórias genuinamente. A maior parte da composição de nossa persona nunca é nos mostrada com suas virtudes e vícios. Tentamos esconder, por conveções individuais e coletivas, os significados nos quais pretendemos ser eternos para dizer que a nossa vida, e tudo o que a rodeia, também é banhado por essas águas. Desejamos a imortalidade, mas sem ter que pagar o preço que advém dela. Essa é a evidência de que o contato com as outras pessoas nos fortalece, nos desenvolve, mas, igualmente, nem sempre se coloca em xeque o que EU SOU ou o OUTRO É. O instante eterno de Maffesoli pode conter esse pequeno vício que, em alguns momentos, se sobressai à interaçâo de caráter pedagógico. O Tempo, percebido como um velho amigo e desprovido (ou despido) daquele caráter sombrio, neutro ou indiferente, se reconciliar com o Ser humano na medida que mostra perspectivas desconhecidas de sua própria INFINITUDE. Não pretendo afirmar que a Condição biológia humana o seja, porém o Tempo revela caminhos sobre a DES-coberta de si. A caminhada é tão longa, e às vezes seu fardo tão pesado, que nenhum de nós potencializou o que, possivelmente, possamos VIR A SER (devir). O instante eterno de Maffesoli somente tem significado quando o Tempo RETIRA O VÉU de nossas próprias ilusões. Novamente, a vida é criada e recheada de significados simbólicos. Sem essa pluralidade de manifestações, o mistério do viver não seria, digamos, divertido. Todavia, parte desses símbolos geram ilusões que não nos permitem enxergar nossa própria finitude. Por esse motivo, a insistência do existente precisa ir além de suas expectativas. Para se conhecer, é necessário dar o primeiro passo rumo ao desconhecido que é CADA UM DE NÓS. Talvez, o Tempo, como esse velho amigo, seja capaz de nos mostrar a profundidade de nosso interior ou revelar nossa incapacidade de reconhecer essa infinitude humana que habita em cada pessoa. De um modo, ou outro, quando não se dialoga com o Tempo, não se descobre elementos primários do Ser. Nesse momento, qualquer ilusão será suficiente para imortalizar O QUE SE DESEJA SER E NÃO O QUE GENUINAMENTE SE É. Talvez, possamos demorar mais TEMPO para se DES-cobrir a luz atrás da penumbra, afinal, a AMIZADE COM O TEMPO EVIDENCIA NOSSA HUMANIDADE.

4 comentários:

  1. Uma amizade que, entendo eu, deve se basear no seguinte: o que eu fui, com o passado; o que eu sou, com o presente; e o que eu posso vir a ser (o meu devir), com o futuro - tendo em mente que somos criadores de nossa própria realidade e que a consciência necessária para tanto se alcança com o reconhecimento de quais mitos/símbolos insistimos em adotar para dar significado à nossa vida (já que, por insegurança, muitos preferem que outros lhe digam qual é a 'verdade').
    Acho que a questão é, constantemente, quem eu sou/quem eu posso ser.
    É... é minha lide diária.

    Adorei o texto!

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  2. É a lide de todos nós, cara Grazielly. Entretanto, a dialética feita com o Tempo muitas vezes nos revela, pacientemente, a nossa persona. Esse é um passo fundamental para se compreender o Eu e, por consequencia, todos os que estão a minha volta. Obrigado pelas suas palavras de sempre.
    Abraços

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  3. Parabéns, pelo sua colocação.No ver esta dialética do Eu com o Tempo é a base que envolve todos os indivíduos no decorrer de toda a história da humanidade!

    Excelente postagem.

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  4. Caríssima

    Nós somos a diláetica. O Ser humano que não transita entre os diversos mundos diante dele, não se torna igualmente humano, mas se isola no abismo mais profundo e escuro de seu próprio interior. O silêncio desse abismo é ensurdecedor.

    Sinta-se em casa e volte sempre que quiser.

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