sábado, 10 de julho de 2010

Democracia e Direitos Humanos: ainda prevalece a elipse do ego


Vivemos tempos bárbaros. Estou convencido de que muito pouco se mudou desde que se aprendeu as nefastas lições da Escola do Utilitarismo (ainda não consigo enxergá-la como ramo da Filosofia). Escrevo essa afirmação porque diante desse cenário é improvável que se estabeleça a Democracia e suas manifestações de irmandade entre as pessoas. Recentemente, li no blog do Professor MSc Juliano Keller do Valle sobre um cidadão no qual expressou seu descontentamento na figura dos advogados porque esses defendem bandidos. Ao ler essa manifestação, parei para refletir: as incertezas da vida ainda não são compreendidas como possibilidade de se revelar uma outra humanidade. Ainda o estranho é aquilo que não é o objeto no qual posso possuir. Revela essa pessoa que os bandidos devem ser tratados como tais e, também, - pasmem - incinerados. Essas posturas revelam nossa incapacidade e imaturidade para se viver uns com o outros. Novamente, Agamben estava certo: vivemos num estado de exceção PORQUE TODOS PROMOVEM A VIOLÊNCIA CONTRA TODOS. Os Direitos Humanos, apresentados em território nacional como Direitos Fundamentais, rememoram a todos sobre os horrores da arbitrariedade e desprezo humano sobre o Outro, o diferente, o estranho, enfim, aquilo no qual não se insere no domínio da MINHA certeza. Provavelmente, as pessoas gostam ainda de serem comandadas por um Estado ditatorial porque não precisam pensar nas suas decisões e nas suas vidas que, hoje, caminham rapidamente para um vazio cada vez maior. Esse vazio se manifesta pela indiferença diante dos horrores que afetam esse início de Século XXI. Rememoro a todos que num Estado Constitucional, apesar de seus erros, ainda existem garantias de proteção à pessoa contra os abusos cometidos pelo Estado e vice-versa. Num Estado Constitucional, toda pessoa tem o direito de ter defensor para, num procedimento judicial, receber uma sentença a fim de se averiguar ou não sua culpabilidade pelos atos cometidos contra um cidadão ou vários. A NÃO DEFESA DE PESSOAS CONSIDERADAS BANDIDAS POR OUTRAS, SOB UM PRÉ-JUÍZO DE VALOR, NA MINHA OPINIÃO, É REMEMORAR OS EFEITOS DA SANTA INQUISIÇÃO, DA CAÇA ÀS BRUXAS DE SALEM E DA ALEMANHA HEGEMONICA NO AUGE DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL. Evidencia-se que os Direitos Humanos somente conseguem traduzir o mínimo existencial de paz quando compreendemos seu conteúdo SEM APELAR PARA UMA POSTURA SOLIPSISTA. Não se trata de mera atitude assistencial, mas de oportunidades para se (re)elaborar outros patamares civilizacionais a partir da Ética, Fraternidade, Paz, Compreensão e Diálogo. Relembro a expressão no qual utilizei em momentos anteriores: ainda se vive sob o véu da elipse do ego. Caso essa postura permaneça viva entre nós, por favor, mudem o nome do nosso regime democrático para totalitário. Se a barbárie é o território no qual as pessoas, mutuamente, se desautorizam para realizar o que quiserem sem apreço ou consideração pelo próximo, sejamos, no mínimo, coerentes com a nomenclatura da vida individual e coletiva: SOMOS BÁRBAROS, não cidadãos. Insisto: a Fraternidade é o que confere à existência humana sua DIGNIDADE.

9 comentários:

  1. Sérgio, obrigado pela defesa! Vivemos uma democracia. O espaço de discussão vale à pena ser mantido, mesmo que o preço seja alto demais.
    Forte abraço. teu blog, como sempre, um show!

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  2. Professor Sérgio,

    Ler-te é ampliar idéias.
    Aproveitando as férias estou terminando de ler Direitos Humanos Fundamentais de(Alexandre de Moraes).
    Termino meu comentário com a seguinte frase:
    "A causa que defendemos, não é só nossa, ela é igualmente a causa de todo o Brasil. Uma República Federal baseada em sólidos princípios de justiça e recíprocas conveniências uniria hoje todas as Províncias irmãs, tornando mais forte e respeitada a Nação Brasileira. "
    (Bento Gonçalves)

    Beijos de Luz!

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  3. Cara Sandra

    Obrigado pelas gentis palavras. Aqui vai uma sugestão: ao invés de ler o Alexandre de Moraes, em termos de Direitos Humanos, leia a Flávia Piovesan e eu te direi o porquê mais tarde.

    Abração

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  4. Prezado Professor,

    Obrigada por indicar-me a leitura acima citado.Vou ler e trocaremos idéias no decorrer do próximo semestre.

    Beijos Iluminados!

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  5. Prezado Professor Aquino, o sentimento do cidadão externado no blog do professor Juliano, vem de encontro com o sentimento da sociedade em si, pois, ao meu ver, o sistema punitivo-educativo, está falido, logo, não conseguimos ressocializar os infratores das normas estabelecidas. Gerando na sociedade um sentimento, de estado de natureza

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  6. Oi, Sérgio! Isso não é bem um comentário... é um convite. Tô de cara nova! Vai lá ver: www.scmcampinas.blogspot.com
    Gde abraço. E parabéns pelo blog que visito sempre!

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  7. Professor

    De imediato recordei dessa frase do Dr. Toron:

    “A história de que o advogado não é digno porque defende alguém considerado indigno é um senso comum que espelha uma tremenda burrice”. Alberto Zacharias Toron > “Escudo de gente graúda” > via Revista Poder > http://tinyurl.com/2eld8vj

    Abs.

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