sexta-feira, 7 de maio de 2010

ontologia do momento presente (III): Eternidade e Infinito


Numa de minhas demências noturnas, enquanto retornava de minhas tarefas docentes, comecei a indagar sobre as proposições das categorias Eternidade e Infinito. Confesso que os temas não são nada fáceis, especialmente quando vislumbrados pelas perspectivas filosóficas, mas acredito que essa compreensão seja necessária para localizar o significado da experiência humana e o porquê de sua proteção pelo Direito (enquanto fenômeno cultural e normativo). Já mencionei na postagem anterior que o Ser humano, segundo Maffesoli, cria, por meio da astúcia, modos de retardar o tempo que vive para tornar o momento presente algo eterno. A partir dessa proposição, percebe-se um detalhe: a categoria Eternidade surge como dimensão temporal daquilo que, para cada Pessoa, merece ser preservado pelo significado no qual contém. Esse significado, contudo, não se esgota pelo seu caráter eterno, mas pela infinitude na qual se manifesta diante de nós. Se Eternidade pertence à dimensão temporal, a categoria Infinito aparece como sendo o espaço da compreensão do significado Humano. Trata-se de se vislumbrar, com profundidade, as múltiplas possibilidades nas quais cada singularidade reserva no seu mundo interior. A tentativa de decodificação desse Outro mundo, quando compreendida, se torna parte do Ser e, portanto, merece ser preservado para todo sempre. Porém, veja-se: a preservação desse (novo) significado não o torna atemporal, ausente de outras possíveis reflexões. A experiência do Infinito revela, a cada passo, um outro horizonte que complementa o anterior. Isso significa que Eternidade e Infinito são modos de, constantemente, tomar consciência sobre a tensão que existe nos diálogos entre certeza e incerteza, certo e errado, virtude e vício. Essa possibilidade se concretiza à medida que se DES-cobre uma outra perspectiva de uma existência alheia a nossa. O Instante Eterno de Maffesoli se desdobra pela Infinitude da experiência humana. Por esse motivo, esse instate se preserva no tempo em decorrência do contato da Outra Pessoa que se manifesta como uma trilha infinita na qual direciona cada um para a (possível) revelação de um novo arquipélago: a incompletude e insuficiência humana. Qual o significado disso para o Direito? Sem a tomada de consciência dessas duas categorias, torna-se improvável desejar viver em coletividade e esperar que o Estado realize suas funções para proteger aqueles nos quais sequer se identificam como Sujeitos. Enquanto permanecer a falácia da relação Sujeito-Objeto, o Direito preservará algo, igualmente, falso porque não tem a capacidade de proteger ou gerar algo que possibilite a integração humana. Eternidade e Infinito tornam-se complementares porque denotam o caráter da essência sobre a condição que é Ser humano. Caminhar em direção ao infinito, aprender constatemente sobre o Eu a partir do Outro absolutamente Outro (Lévinas) e preservar essas mutações pela Eternidade significam uma proposição de um Direito centrado na Pessoa e não em manifestações ilusórias que pretendem tornarem-se fundamentais para o desenvolvimento mundial, tais como a Economia. Pensemos, com calma, sobre esse interessante diálogo entre Eternidade e Infinito na composição de uma possível reflexão de um Direito autenticamente humano.

3 comentários:

  1. Prezado Professor,

    As verdadeiras demências de preferência as noturnas .São consideradas as mais sábias é a projeção da sombra ao encontro da grande luz.

    Tal qual, o que escrevi referindo-me a esta plenitude de pensamentos:

    Na sombra vivem
    Pequenos e pisados
    Anônimos no mundo
    Na sombra multiplicam
    Essa paisagem contínua
    A sombra dá os limites
    Entre o que foi e o que é
    Anula aparências
    Aproxima distâncias...
    Na sombra nascem
    As estrelas
    As sementes
    As idéias...
    As músicas e a própria
    Vida...

    Adoro ler-te,amplia os conhecimentos de quem tem sede do saber.

    Beijos de Luz!

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  2. E o que nos faz autenticamente iguais é a nossa finitude.

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  3. Prezadas Sandra e Grazielly

    Eternidade e Infinito fazem parte, paradoxalmente, de uma compreensão metafísica numa era pós-metafísica. Essas indagações nos mostram qual o signficado de Ser humano todos os dias, sempre numa postura dialogal entre sujeitos, sejam pessoas ou o prórpio mundo.

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