sexta-feira, 21 de maio de 2010

O Direito e a Ética da Indiferença


Repensar os fundamentos éticos numa Sociedade (global) carente de percepção sobre o significado do Outro torna a existência vazia de possibilidades, de espaços para se (re)inventar a condição humana. Cada vez mais, alargamos os abismos que (em tese) nos unem e reafirmamos nosso status solipsista. Está se tornando insuportável ser essa entidade imortal gerada pelos nossos anseios de perfeição. Parece que não existe mais a possibilidade de se aventurar pelo infinito denominado a outra pessoa. Essa condição reflete-se nos variados campos do conhecimento humano, especialmente a Ética. Essa última categoria citada denota a promoção de ações humanas nas quais tem como fundamento existencial a procura do bom para se promover o bem. O cenário ético permite a abertura ao diálogo, o reconhecimento da imperfeição alheia, a busca por novos modos de se pensar e agir diante do Outro, consolida novas dimensões políticas, estéticas, juridícas, econômicas, sociais, entre outros. Entretanto, o núcleo da ação ética reside numa expressão denominada juízo de valor. A manifestação do mencionado juízo corrobora-se pela eleição de valores nos quais tenha identidade significativa com o Sujeito. Sem o sentido de significação, não há como valorar pessoas ou objetos. Essa tarefa se torna muito dificultosa, pois a percepção limitada do Ser humano nem sempre enxerga quais orientações valorativas evidenciam algo bom para a Sociedade, principalmente. A postura individual, fora do equilíbrio necessário, torna-se o algoz da Democracia. O tauhma grego é incapaz de produzir efeitos que consigam chamar às pessoas para a Responsabilidade. Sem o espanto, não tem como sairmos daquela tênue linha entre a apatia da normalidade e uma cidadania (global) responsável. A indiferença instaura-se como o próprio cotidiano. As violências realizadas contra (e entre) as pessoas são apresentadas como a morada habitual de cada Ser humano (Aristóteles), ou seja, vivemos num Estado de Exceção e não num Estado Democrático de Direito (Agamben). A indiferença se torna a condição Ética da humanidade para nos levar numa outa possibilidade da vida. Saudemos os novos tempos dotados de uma consciência de desprezo por tudo aquilo que se manifesta diante do ego. Será?...

Um comentário:

  1. Estava pensado bem isto nessa manhã: a escassez da alteridade impede que haja o entrelaçamento entre os seres humanos e tem-se, como corolário, a ausência de identidade pela falta de identificação.
    Isso está me angustiando deveras.

    ResponderExcluir