sábado, 3 de abril de 2010

Direitos Humanos de Alteridade para que(m)?



Falar em Direitos Humanos sempre foi um assunto meio nebuloso para as pessoas. A questão, com o passar do tempo, se torna cada vez mais difícil, até porque, o próprio significado de Pessoa se esmaece diante da força mercantil. Sob esse mesmo argumento, os Direitos Humanos concebidos pela Idade Moderna serviram para demonstrar o nosso repúdio à manipulação do Homem pelas ideologias e a ação desorientadas de critérios nos quais preservem o Ser humano e suas identificações. Os Direitos Humanos precisam ser rememorados sob esses fundamentos para que se possa reconstruí-lo, culturalmente, para proteger a pluralidade da vida que aparece no cotidiano de cada Pessoa. Entretanto, como é possível cogitar essas hipóteses se nem se sabe o que o Outro significa para nossas vidas individuais? Será que, como diria o Professor Dr. José Ricardo Ferreira da Cunha, conseguimos algo fora-de-si? A resposta parece nebulosa, pois ainda não conseguimos sair do enraizamento cultural provocado pelo consumo e pelo atendimento imediato de nossos desejos. Enquanto princípio político, os Direitos Humanos não guardam nenhuma coerência entre seu discurso e sua prática. Muitas vezes, é necessário refletir sobre a expressão utilizada por Costas Douzinas: decretar o fim dos Direitos Humanos. Será que esse é o caminho adotado pela humanidade nesse início de Século XXI? Os horrores da primeira e segunda guerra não foram suficientes para mostrar a força destruidora de um ego que jamais será atendido na sua plenitde? Quero crer que ainda não, porém, para realizar a utopia na qual se manifesta pelo dia-a-dia é preciso reconhecer o Sujeito enquanto Sujeito, ou, como diria Lévinas, o Outro absolutamente Outro. A (re)invenção dos Direitos Humanos, a partir das lições do Professor Dr. Warat, passam pelos desejos humanos, pelo (re)encontro com o próximo, tão distante de cada um por causa do monásterio egocêntrico. Entretanto, adverte-se: Essa caminhada ruma para o infinito. Cada Vida tem suas características, seus modos de existir e não podem se assemelhar às imagens que se projeta sob o Outro. Caso se procure a Alteridade como panacéia para se obter resultados imediatos às angústias existenciais humanas e institucionais, o caminho se revelará como equivocado. A Alteridade é postura de Vida em eterna (re)construção. A partir dessa possibillidade de integração pelo reconhecimento do Outro como Sujeito e não Objeto, a integração cultural, na qual transita entre o Logos e o Pathos, aos poucos, denota aquilo que o Professor Herrera Flores chama de humanização da humanidade. A Alteridade permite a consolidação de uma prática política iniciada no passado, reforçada pelos movimentos constitucionais, porém longe de qualquer práxis social mais estável: a Fraternidade. Percebe-se, hoje, muitos discursos sobre Ética, Sustentabilidade, Ecologia, Alteridade e abertura dialogada para o desenvolvimento da cultura em termos de mundo. A Fraternidade possibilita que esses ideais apontados possam se tornar realidade, pois o Outro deixa de se tornar obstáculo para se atender os desejos individuais e se transforma no complemento à formação de minha persona diante das experiências que a vida proporciona. O Outro é a minha afirmação enquanto Pessoa. A Vida caminha para a generosidade, solidariedade, desapego ao material quando se percebe o significado de Existir com o Outro. Esse é o sentido autêntico dos Direitos Humanos de Alteridade. Um projeto de aproximação humana para se sentir quem é esse desconhecido, essa incerteza que abala as minhas certezas habituais. Os Direitos Humanos não podem ser direcionados aos Estados-nação e deixar cada Pessoa desprovida de sua condição humana. Trata-se de se resgatar o que existe de bom nas pessoas e fazer da caminhada uma aprendizagem. Porém, e como salienta o Professor Dr. Warat, enquanto os Direitos Humanos forem divinizados pelo seu caráter antropocêntrico e atenderem aos desejos da Torre de Babel das S.A do Capitalismo, todos, indistintamente, estaremos órfãos de significados e proteção contra a soberba e o orgulho, igualmente, humanos.

2 comentários:

  1. Que belo blog, meu amigo. Vieri leitor habitual.
    Abraço, Sandro Sell

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  2. Caríssimo

    Sinta-se a vontade para trazer suas constribuições nesse espaço. Aqui, tenta-se ver o Direito como manifesto de uma condição humana de Alteridade, Responsabilidade e Fraternidade. E essa idéia somente fazemos dialogando sobre aquilo que pode vir a ser.

    Abraços

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