sábado, 13 de fevereiro de 2010

Outro semestre letivo que se inicia: vamos manter acesa a chama da pesquisa científica



Outro semestre letivo se inicia nesse ano de 2010. Eu gostaria de convocar a todos que são estudantes (e somos para uma vida inteira) ao estímulo da leitura em todos os ramos do conhecimento humano. Esse blog se destina ao debate e aperfeiçoamento do Direito enquanto modo de pensar e agir sobre os significados da existência humana a partir da incerteza que é a Outra Pessoa. Percebe-se, ano após ano, um certo grau de desmotivação aos estudos perante um sistema de vida - plural e singular - nos quais não permite ao Ser humano conhecer-se e, muito menos, contribuir para a formação do próximo. O Ensino Jurídico tem suas mazelas como qualquer produção de conhecimento. Entretanto, não pode se eximir e tampouco continuar indiferente frente aos cenários complexos que nos pedem respostas razoáveis. Não se trata de uma resposta imediata. Precisa-se aprender o valor do Tempo para nos tornarmos seres humanos compreensíveis. A experiência da vida, auxiliada pelo saber-pensar, é o que nos permite viver autenticamente os enigmas da condição humana. Tornemos o espaço das salas de aula em debates, fundamentados, sobre o nosso cotidiano. A lei sozinha, repito, não será a tábua de salvação da humanidade e muito menos conseguirá prever todos os atos da vida humana. Temos, sim, que nos postar diante do Outro com humildade e saber dialogar entre as certezas e incertezas, o belo e o feio, o erro e o acerto. Essa é a produção do conhecimento jurídico no qual compreende o universo do Direito de modo mais amplo e mais humano. O Professor Dr. Miguel Reale sempre lembrava: o homem é fonte de todos os valores. Quais valores? Aliás, o que tem valor hoje para o Direito? E para as Pessoas? Qual o valor da Democracia? Da vida? As perguntas, como se percebe, acumulam-se, sem, contudo, se ter uma resposta. Esse é o primeiro passo que as Universidades precisam oferecer aos seus estudantes: a chance de procurarem, questionarem, o que é a categoria valor no século XXI e de que modo o Direito permite sua proteção e significado para as pessoas? Nessa desafiadora proposição existem dois pontos que merecem ser articulados e eu os reforço: a) a Transdisciplinariadade como via de mão-dupla (Bittar) na elaboração do conhecimento jurídico sem ater-se aos dogmas como seus pressupostos universais e atemporais; b) a análise dessa condição como reflexão dos Direitos Humanos e Dignidade Humana. Nessa tríade - Transdisciplinaridade, Direitos Humanos e Dignidade Humana - reside nosso desafio de buscar nesses tempos de indiferença endêmica os significados que nos unem como pessoas e proporcionam nossa compreensão uns diante dos outros. Espera-se que o Direito, enquanto fenômeno protetivo da existência humana, possa sair do império tecnocrático e resgatar as condições de Socialidade. Essa é a tarefa cultural que a Educação nos possibilita nesse início de Século XXI. A Pesquisa Científica não ergue muralhas para distinguir os deuses olimpianos e seu proletariado, mas permite criar o terreno fértil em que a amizade e a seriedade pelo compromisso educacional nos eleva a um outro patamar de qualidade ética e civilizacional.

2 comentários:

  1. Sofro com o mesmo dilema, meu caro. Iniciam as aulas e a correria para vencer o sempre atrasado conteúdo, por vezes nos priva da solidão imensa e prazerosa que consiste em pesquisar e escrever dentre várias vozes mudas mas gritantes que habitam nossas estantes. Mas isso é necessário, pois reflete nas próprias aulas e na sua pretensão de excelência. Ademais, concordo com a tríade que você propôs plenamente, isto pela voz de Bittar, apesar de acreditar que a Dignidade Humana já está contida nos Direitos Humanos e poderia ser substituída por outra terminologia. Qual? Fico a pensar. Um grande abraço, Eduardo Matzembacher Frizzo (do blog http://insufilme.blogspot.com/).

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  2. Caríssimo Eduardo

    Estive refletindo sobre suas palavras e acredito que a Dignidade humana pode estar contida nos Direitos Humanos, mas a mera previsão normativa não exime nossa responsabilidade de compreende-la como fenomeno da existência humana. Acredito que a Dignidade Humana precisa se encontrar nessa tríade porque essa impulsiona os Direitos Humanos como parâmetro de orientação e compreensão das incertezas humanas. Talvez seja possível pensar em outra categoria que venha complementar essas três possibilidades. E como você bem afirmou, vamos pensar sobre qual seria.
    Muito obrigado pelas suas palavras.

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