quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

E o que esperar do ano novo sem uma atitude nova?

A Posse da nova Direitoria Acadêmica na Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS - transcorreu de modo sereno. O ponto alto da solenidade foram os pontos abordados pelo discurso do Reitor que demonstram a necessidade de se reinventar o papel das universidades brasileiras, na quais muitas delas ainda permanecem fechadas nos seus centros de saber, quase um saber monástico, como diria o Professor Dr. Luis Albterto Warat. O desafio que se apresenta ao Ensino Superior brasileiro são três, a meu ver e conforme a leitura do Reitor da UNISINOS: a) Transdisciplinaridade; b) A função (ou impacto) das novas tecnologias; c) o modo como essas duas entidades anteriores permitem a releitura da promoção à Dignidade Humana. Não há como vislumbrar algo autenticamente novo no século XXI sem saber trabalhar com as questões que necessitam de respostas fundamentadas a fim de se conseguir um outro cenáreio que não sejam as velhas e repetidas palavras de um discurso eficientista, para memorar as palavras do Professor MSc Júlio Cesar Marcellino Júnior, quais sejam, velocidade nas respostas (de qualquer modo) e a distribuição de todos os bens a todas as pessoas para se efetivar a qualidade de vida. Caminhamos em terrenos pantanosos quando o assunto é a Transdisciplinaridade. Conceituamos muito genericamente essa categoria, ou postura acadêmica (prefiro essa expressão), sem saber seu valor para a vida humana. Essa quimera, para muitos, não se consolida porque o que se salva, para algumas pessoas, são as pesquisas científicas isoladas num determinado campo do conhecimento. Não desejo ser generalista. Temos muitas pesquisas boas nesse Brasil nas quais conseguiram seu intento após souberem dialogar entre os campos do conhecimento. O movimento do sair de si e "ser-com-outro" demonstra a capacidade humana de perceber, com criatividade, a vida e seus desafios. A criatividade, seriedade, diálogo e reconhecimento da importância daquele estranho no qual desestabiliza o sólido alicerce de minhas certezas habituais torna-se a compreensão sobre o que é Ser humano. A maturação desse pensamento, a criação de critérios transdisciplinares trazem novas luzes ao saber-fazer e saber pensar. Nesse ir e vir, a Dignidade Humana, aos poucos, recobra seu sentido original e filosófico e sai das trevas da ignorância daquele significado assistencialista e vazio dos pretensos argumento jurídicos. Ter Diginidade é, antes de tudo, pensar o Ser humano e sua mutabilidade diante dos fenômenos que se apresentam para todos nós. Essa será, de fato, uma atitude ORIGINAL (não inédita) para se (re)descobrir a essência da vida, no seu sentido mais amplo possível.

4 comentários:

  1. Como professor e advogado, convivo com dois mundos linguísticos pela existência. Enquanto advogado, sou escravo da tecnocracia jurídica que encara os autos de um processo apenas como um objeto, esquecendo de que nas linhas de cada lauda existe vida, existe angústia, amor e dor. Como professor, convivo com o entedimento logomaníaco de alguns colegas que petrificam o direito como expectadores inertes de uma realidade que julgam imutável. Mas isso não é direito. Assim como nosso corpo é prenhe de futuros, o direito é um contínuo vir-a-ser, tatuando em sua pele marcas de guerras, marcas de sangue que aparecem estéreis diante de uma burocracia acadêmica que na maior parte das vezes vive em função de títulos e financiamentos da CAPES para pesquisas sem qualquer vínculo com a realidade. São os devotos do saber-poder, da cultura manualesca que remonta às universidades do Império, onde apenas era ensino aquilo que o poder instituído julgava correto. Como mudar essa situação? Acredito no seu argumento. A Dignidade da Pessoa Humana deve estar acima de tudo quanto o direito diz. A única possibilidade de diálogo em um mundo globalizado é aquele que tem os Direitos Humanos como mínimo ético para a interculturalidade. E aí é que passa a transdisciplinaridade. E é aí que passa o ser bio-psico-social do Morin. Somente dessa forma o futuro da cidadania e do direito se desenhará. E talvez um dia, para utilizar a sabedoria do Warat, passemos do saber-poder ao saber-sonho. Ótimas considerações. É um prazer visitar seu blog. Também tenho um blog (http://insufilme.blogspot.com/), no qual exerço minha veia literária sobre as coisas de mim, do mundo e dos outros. Um grande abraço, Eduardo Matzembacher Frizzo.

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  2. Caro Eduardo

    É sempre um prazer saber que as pessoas estão acordando de um sono imposto por Hypnos e que saem da inércia tecnocrática imposta pelo império do saber-fazer. Entretanto, o desafio é perene. Precisamos ser perseverantes e não esmorecer diante das dificuldades e daqueles que vêem no Direito apenas mais uma fonte de renda (assim como o é na Educação). Vamos adiante, pois as utopias carregadas de esperança estão naqueles que acreditam no diálogo e percebem no Outro uma experiência infinita de significados vitais ao nosso desenvolvimento como seres humanos.
    Visitarei o Blog.
    Abraços

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  3. Gostei muito de conhecer seu blogue.
    Fiquei sensibilizado com este poste, pois compartilho com teu ceticismo (realismo) em relação a um ano novo vindo do além. Façamos por onde, o novo depende de nossos atos.

    Me diga uma coisa, és professor da Unisinos?
    Muito prazer!

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  4. Caro Luiz Otávio

    As pessoas não compreendem ainda que para termos respostas fundamentadas precisamos reinventar o saber (fazer e pensar). A conexão do discurso com a ação é postura difícil e exige disciplina para se ter coerência nessa dupla tarefa. Rever essas questões significa trazer novas luzes para a (esquecida) tarefa da Educação. Não adianta prometer algo se esse conteúdo não tem significado para nossas vidas. Acredito que se o ano de 2010 tiver algo de especial, esse o será pela promoção, em primeiro lugar, da auto-compreensão para, em seguida, compreender o Outro absolutamente Outro (Lévinas).
    Em segundo lugar, não sou Professor Da UNISINOS, mas tenho um carinho muito grande pela sua prospota Educacional arrojada diante desses desafios que nos remoram a importância de se dignificar a Vida e a Pessoa.

    Abraços e volte sempre que quiser.

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