sábado, 5 de dezembro de 2009

Ética: uma (des)necessidade no Brasil do século XXI

Os eventos desse final de ano no Brasil retratam fielmente aquilo que escrevo há certo tempo quando se encontram ausentes os pilares fundamentais de uma Sociedade que deve(ria) se reconhecer como Sujeitos e não como obstáculos para se desenvolver a vida. A crise ética na qual assola o cénário Político (partidário e do cotidiano) demonstra o que, aos poucos, estamos nos tornando - não vou nominar o que, pois deixo esse encargo para a imaginação do meu leitor. Percebe-se o quanto é facil elaborar um discurso que, muitas vezes, convence, porém sem qualquer ligação com a vida cotidiana, os significados que produz, para que(m) produzem, enfim, qual o sentido da vida sem que haja a interação humana. A Ética, como já afirmei, não é e não pretende ser moralista, tampouco impositiva. Há nessa categoria orientação equilibrada para a vida QUANDO nos dispomos a caminhar pelas sendas incertas da Educação. No Brasil, a Educação sofre porque, de uma forma ou outra, estamos preocupados com nossa sobrevivência diária, especialmente a de caráter biológico. Entretanto, o prolongamento desse cenário desde a segunda metade do século XX tem nos custado muito caro quando se deseja procurar critérios adequados e valores que retratem o que é o Século XXI. A abertura realizada por esse momento histórico invoca, sim, a responsabilidade de todos diante das mudanças drásticas de todas as ordens na qual somos impostos. Aliás, ressalte-se, parcela dessa ambiência é provocada pela ação DESMEDIDA, INPENSADA E ANTI-ÉTICA do Ser humano que sofre da cegueira aguda causada pela elipse do ego. A ausência da Ética no Século XXI é tão-somente as raízes dos males causados pela má orientação moral do Século XX. Não se pode argumentar ou querer - potencialmente - que o mundo mude radicalmente. Essa ação é uma violência contra o mundo e a própria condição humana que tem seu momento adequado para compreender o que está a nossa volta. As correlações entre Ética e Moral do Século XXI precisam ser pensados a partir da seguinte indagação(ões): O QUE SE DESEJA DO SÉCULO XXI? O QUE SE PODE FAZER PARA CONTINUARMOS EVOLUINDO ENQUANTO CIVILIZAÇÃO?. Essas perguntas, invariavelmente, demonstram nossa condição de falibilidade diante de nós e do mundo. A perfeição desejada é tão-somente uma IDEALIDADE na qual orienta as nossas ações e pensamentos na busca daquilo que venha a ter significado PARA TODOS. Os rumos que o mundo está tomando precisam de argumentos que enfrentem, com vigor, suas vicissitudes. Os paliativos criados são temporários e, ainda, precários. Não possuem justificativas suficientes para consolidar uma Sociedade (global?) que encontre no Outro, no Semelhante, um projeto de vida no qual ofereça um diálogo interminável, de intermináveis possibilidades para se enxergar, como afirmava Lévinas, a infinitude que há na Outra Pessoa. Quando essa epífane ocorrer, talvez, a sombra da invidualidade exacerbada, da Economia Neoliberal, não se espalhe de modo endêmico, tal como o personagem Sauron de Tolkien. As trevas ocasionadas por esses movimentos humanos causam a miséria humana, a ausência de ética e, nesse momento, seremos qualquer outra COISA que se CONVECIONE NOMINAR, menos humanos.

2 comentários:

  1. Como diz Leonardo Boff, ao defender o "Ethos mundial: um consenso mínimo entre os humanos", ou nos salvamos todos ou morreremos todos, pois no mundo neoliberal e globalizado os problemas também o são.
    Parabéns pela reflexão.

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  2. Excelente, como sempre, professor.
    Como aluno de direito, vejo cada vez mais a necessidade da discussão sobre essa categoria, na academia e também fora dela, para que possamos seguir os preceitos corretos e obter uma boa formação.

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