domingo, 27 de setembro de 2009

O Direito e o sentido do equilíbrio humano: caminhos paralelos



É interessante se situar no contexto humano e verificar que se menciona tanto em progresso, mas que, cada vez mais, o outro se torna um Ser inalcançável (Lacan). Esse inquietação longíqua que se chama a Outra pessoa tem nos demonstrado a necessidade de se buscar o equilibrio nas ações e pensamentos a fim de que o projeto da vida na qual se anseia concretize-se como, por exemplo, a paz. Porém, Chaplin tinha razão quando mencionou sobre a introjeção da ganância que corrompeu a alma do homem. A tentativa de se esquecer o Outro e reconhecer a imperatividade de se atender a tudo o que se quer, deseja, nos leva a um caminho frustrante porque nossos desejos permanecem na ordem do infinito (Lévinas), ou seja, no momento que satisfaço algo de ordem pessoal, logo outra ressurge, e assim sucessivamente. O Outro torna-se uma ilha remota cujos nosssos esforços são insuficientes para se alcançá-la. Tenta-se, há mais de dois mil anos, conviver pacificamente, porém o único sucesso que se obteve é desenhar a passagem de uma sitação extrema a outra. Fala-se em Democracia, Fraternidade, Compaixão, Pessoa, mas percebe-se tãos-somente seu discurso vazio de significado. Quando se menciona que precisa-se deixar de lado, um pouco, as questões antropocêntricas e concentrar esforços no sentido de compreender o nosso caráter humanitário a partir dos inúmeros diálogos que a vida nos proporciona. Consegue-se fazer isso? Não. Ao contrário, as pessoas cada vez mais distanciam-se do Ser humano e entram em contato com o mundo dos animais, alegando-se que esses seres nos compreendem melhor. Será? De modo algum, gostaria que compreendessem minhas palavras como a necessidade de colocar cada Ser no seu lugar. Caso contrário, a proposta dialógica de convivência não teria sentido. Entretanto, há um apego excessivo aos animais domésticos, indicando, a meu ver, uma falibilidade comunicativa entre as pessoas. Já se ouviu expressões do genero - gosto de animais porque eles estão sempre felizes com nossa companhia e nunca reclamam de nada. Essa indicação demonstra que o discurso absolutista da imperatividade solipsista não perdeu nenhuma força com o decorrer dos séculos. Kant deve estar se indagando como a humanidade conseguiu perverter o imperativo categórico ético para imperativo categórico solipsista. Isso significa que à medida que o Ser humano e as suas manifestações tentam encontrar caminhos convergentes para uma vida equilibrada, esse, repetidas vezes, passa de uma ação extremada a outra. Essa transição pacífica na qual procura-se efetivar no cotidiano perde, em parte, seus matizes para redesenhar outras obras que ressaltem a solidão do Ser humano. A elipse do ego retorna com muita força e se esquece que tudo na vida são fases que precisam ser vividas e compreendidas para que possamos crescer. Esse é o mais belo momento em que o ego não comanda, mas reflete sobre sua condição na direção generosa de outra pessoa. Nesse momento, teremos equilíbrio... quando? Depende. Do que? De compreendermos que a vida é uma eterna busca pelo meio termo das ações e pensamentos humanos. Reitero o que afirmei em postagens anteriores: Ah, se o Direito soubesse disso...

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