sábado, 12 de setembro de 2009

Mas afinal, a existência existe?



Enquanto escrevo essas palavras de um diálogo no qual tive com o Professor Márcio Harger, cheguei num determinado ponto de questionar: o que é a existência sem o Ser humano? Todo o discurso do qual tenta-se oferecer um sentido para nossas vidas, passa, necessariamente, soobre esse pilar e, querendo ou não, remete-nos a essa (mortal?) indagação. Para muitos, existir é condição de auto-afirmação. Essa condição revela-se como enclausuramento sobre si - o que denomino de elipse do ego. A improbabilidade de abertura ao outro denota a satisfação infinita daquilo que queremos. A jornada que se empreende, aos poucos, torna-se vazia de significados porque as respostas advindas desse monólogo incompreende o mundo a sua volta. Criam-se verdades absolutas, nas quais não podem ser questionadas para perceberem a dinamicidade do mundo. Aliás, ressalte-se, o mundo no qual se menciona é apenas o contexto que deve servir à vontade daquele na qual tudo gira ao seu redor. O fechar-se pela auto-afirmação direciona-se à intolerância, ao fanatismo, responsáveis diretos pelos holocaustos e demais violência que assolaram (e assolam) a humanidade, inclusive nesse início de Século XXI. Ao contrário da auto-afirmação, o qual entendo ser momento posterior - de ação - aparece aquele espaço a priori (Kant) denominado auto-compreensão (Morin). Nesse lugar (tópos), improvável que a pessoa não perceba um universo diante de si na qual torna-se fonte de seu aprendizado. A reciprocidade indica movimento para que o pensamento e a ação humana contenham significados mínimos nos quais possa se desenvolver. Existir no tempo decorre de nossa compreensão a partir das experiências (Heidegger). A completude indica nosso eterno estado de ignorância (Sócrates). O Ser humano somente entende as múltiplas manifestações a sua volta quando compartilha, ainda que de forma limitada, os seus significados. A partir desses referentes, a pessoa cria representações desses fenômenos. Essas representações, numa tentativa de sintetizar o que se apreendeu, são meras aparências. Nã se consegue compreender ou descrever o mundo e sua essência porque depende-se tão-somente de cinco sentidos para se captar os fenômenos externos à nossa percepção. Entretanto, como poderia-se responder a questão: a existência existe? Depende. A Existência é categoria criada pelo Ser humano, assim como a categoria Verdade. Essa última categoria implica numa análise humana sobre determinado fenômeno a fim de torná-lo previsível. A estabilidade confere imutabilidade a essas ocorrência - culturais ou naturais. Logo, a acomodação não permite que as "verdades" criadas se modifiquem com o tempo. Assim ocorre com a existência. Quando o existir se fecha para a compreensão do mundo enquanto movimento, torna-se oco, vazio (em inglês existe um termo específico para essa possibilidade chamado Hollow). A pessoa deixa de perceber beleza ao seu redor. Isso é negativo? Nem sempre. Muitas vezes, quando nos despimos daquilo que se criou - um armadura de valores impenetrável - enxerga-se a existência de modo mais claro, mas, nem sempre, com o mesmo propósito imposto pelos valores que se adota para se direcionar a vida. Há profunda desorientação se a pessoa não conseguir navegar por esses mares tortuosos. Todavia, não se pode acreditar que esse mergulho, por ser profundo, não tenha retorno (Adão Longo). A Existência, como se percebe, não é leviana. Precisa ser percebida como elemento adequado para, primeiro, compreender-se enquanto diálogo com o mundo. A partir de uma auto-compreensão, é possível se materializar a CON-vivência, a pluralidade de diferenças e, por fim, a almejada Fraternidade. Ah, se o Direito soubesse refletir sobre essas possibilidade, o cenário de um novo palco tornar-se-ia viável porque admitiu-se que a Existência somente tem significado enquanto se revela pela procura de algo que nos torne dignos de sermos chamados PESSOAS.

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