quinta-feira, 23 de julho de 2009

A paz: um estado efêmero na busca de sentido para a vida



A busca pela paz sempre foi um ponto necessário nos diversos debates que se realizam - sejam filosóficos, sociológicos ou mesmo no Direito. A procura de argumentos que tragam significados à existência humana, cada vez mais fechada nos seus castelos da perfeição impedem a aproximação a partir de outras pessoas e, consequentemente, de algo poderá servir como elemento de integração entre nós.

o tema é caro a mim porque as pessoas ainda se prendem à dualidade da condição humana. Essa possibilidade nos escraviza na vã tentativa de contemplar o mundo como se apresenta autenticamente. Já falei em momentos oportunos que o Ser humano é incapaz de observar outros elementos que indiquem a beleza do mundo porque dependemos tão-s0mente de cinco sentidos a fim de TENTAR compreendê-lo. Entretanto, apesar dessas dificuldades de se definir uma possível ontologia do mundo e do Ser humano, deve-se persisitir na busca daquilo que se revela pelos múltiplos sentidos da vida. A dualidade a que me refiro são sempre pólos opostos radicais nas quais nossas escolhas não podem ir além dessas condições - certo e errado; feio e bonito; certeza e incerteza, entre outros. A paz, enquanto manifestação da cultura humana, procura orientação naquilo que traga identificações de CONVIVÊNCIA, de vida, de reconhcimento do Outro como um igual.

Vários autores como Kant, Thomas Morus, Abbé de Saint-Piérre argumentaram sobre a necessidade de se procurar a paz como a nossa morada habitual (Aristóteles). Kant, em especial, defende a paz perpétua como condição de um Cosmopolitismo, de uma abertura às culturas como modo de se compartilhar a cumplicidade de nossas existências. A alteridade (Lévinas) é tema recorrente como fundamento para construção de um ambiente que: a) resgate a condição de Sujeito como Sujeito e não como objeto; b) traga a experiência do estar-junto como significado de diminuição da soberba de nossas certezas.

Concordo que a paz é uma condição frágil perante o mundo em que se vive. As tecnologias crescem em progressão geométrica e impõe ao Ser humano sua inclusão obrigatória nessa (nova) dimensão sem, contudo, oferecer meios para seu aprendizado ou mesmo respeito às diferentes velocidades de absorção os quais cada pessoa tem para absorver, compreender e sintetizar as informações obtidas. A Economia, sob semelhante argumento, parece estar mais preocupada com as empresas, os Estados, os fluxos monetários que, nesse momento, deixaram de ser produções culturais nacionais para serem informações. A Técnica, ao que aparenta, sobressai-se ao Ser humano - seu criador - porque, ilusoriamente, acredita-se que nessa manifestação estejam todas as respostas para os nossos problemas.

A obtenção da paz, como se percebe, é produto de nossas imperfeições, incertezas, medos, angústias sobre o que pode vir a ser. A paz, do modo como se propõe, não pode se submeter à ações interessadas, especialmente aquelas de caráter economico. Aliás, TUDO o que se percebe no mundo de hoje como ações - POSITIVAS OU NEGATIVAS - giram em torno da Economia. Sérá que não existe outras dimensões humanas que proporcionem critério civilizacionais adequados à vida coletiva sem se concentrar, exclusivamente, na economia ou no capital? A resposta parece negativa.

Nos meus diálogos com as Professoras Dras. Joana Stelzer e Karine, chegamos a dois argumentios: a) Não existe maturidade social suficiente para se promover ações pacíficas nas quais sejam DESINTERESSADAS, tal como seu fundamento ético assim compreende; b) As ações promovidas via INTERESSES ocasinoam ou impuslam a prática de algo significativo, melhorando, em parte, a vida ao redor do globo. É suficiente? Na minha opinião, não. Por que? Acredito que os discursos promovidos pelas pessoas precisam se revelar como categorias exisencias que tomam forma como práxis cotidiana. Sem a possibilidade de se vivenciar características tipicamente humanas é improvável procurar o porquê de fundamentos essenciais para o desenvolvimento humano como a paz.

Ao Direito, cabe a procura dessa possibilidade para se promover uma ordem social desejável (Burdeau). A promoção da paz - em situações locais, regionais, nacionais, supranacionais ou mundiais - é a reflexão e ação de nosso convencimento de que TODOS são indispensáveis ao nosso crescimento - espiritual, intelectual, social, afetual, fraterno. Entretanto, esse convencimento não se efetivou. Lembrando o Professor Doutor Lênio Streck, como se deseja que a Norma Jurídica - principalmente a constitucional - ofereça respostas satisfatórias à uma Sociedade complexa nesse início de Século XXI se sua preocupação está na presevarção da individualidade, ou seja, como promover a resolução de problemas supraindividuais se as pessoas cada vez mais se enclausuram nos seus mundos perfeitos?

A paz não é mera assistência material, práticas piedosas, com as quais se percebe nas ações entre Estados para se afirmar uma condição sustentável de vida na Terra. Os problemas que se apresentam precisam de COOPERAÇÃO desinteressada pelas pessoas, pois é por meio dessas condições compreensivas nas quais pode-se avançar para o progresso. Sem fraternidade, muito pouco nos resta a fazer enquanto Seres humanos. Kant, na sua obra à paz perpétua, já afirmava que a união entre as culturas se inicia com a hospitalidade em reconhecer e acolher cada pessoa, com suas diferenças, como necessárias à solução das dificuldades que enfrentamos enquanto Pessoas ou Cidadãos.

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