sábado, 23 de maio de 2009

Direito e o "Politicamente Correto": reflexões impositivas



A (in)constância dos cenários sociais têm demonstrado que o Ser humano almeja alcançar outros patamares que o permita contemplar, viver e conviver a manifestação da vida como um fenomeno sincero, ou seja, que se perquira o fundo das aparências (Maffesoli).
O Direito, como dimensão viva do pensar e agir humano, precisa encontrar e pensar: o que é valioso às pessoas? O que se manifesta em suas experiências nas quais legitima a qualidade desses seres reconhecerem uns nos outros a categoria Dignidade? Temos essa capacidade? Estaríamos enterrados tão profundamente em nossos egos que rechaçamos essa possibillidade e construímos, aos poucos, uma Sociedade cada vez mais liliputiana (Boaventura de Sousa Santos)? Aparentemente, reitero, não consigo enxergar - fisicamente e mentalmente - a materialização da utopia pela imaginação porque não concedemos seu espaço de abertura e diálogo. Somente existe tal terra prometida àqueles que submetem sua vontade à tirania que impõem seus mundos como sendo nossos.
Perde-se a cada dia a espontaneidade do ato, não se rompe as barreiras do elemento obrigacional. Os membros de uma Sociedade Civil - e é dificil chamar esses seres de Pessoas -estão, literalmente, cedendo sua racionalidade crítica por um mundo pronto, acabado, definido. A angústia cede à indiferença. O espanto (thauma) que provoca as mudanças, a tristeza, a alegria, a chama do viver, torna-se gélida, clamando pela compreensão do Outro, para compartilhar algo que seja SIGNIFICATIVO com a outra Pessoa. Muitas vezes, o Politicamente Correto aniquila essas caracteristicas humanas em prol de salvação de todos. O Politicamente Correto, corroboro, precisa ser repensado. Esse elemento normativo social é a orientação de se manter uma determinada conduta aceitável entre todos. O que não se permite é a ocorrência do sacrifício daquilo que somos para se criar uma Nação (Habermas que me perdoe) de seres AMORAIS, ou seja, decretar nossa incapacidade extrema de participar das decisões da vida coletiva e lhe oferecer um sentido. A partir do Politicamente Correto exteriorizam-se imposições que não admitem a existência de outros horizontes. Inflamam-se os orgulhos. A maioria - a saída estratégica mais simples da Democracia - está sempre certa. Será? Se a afirmação estiver correta, significa que elegemos a hipocrisia, a mentira, a falsidade, a alta individualidade, o alto consumo como atitudes politicamente corretas porque HÁ O CONSENSO DAS PESSOAS E DO ESTADO num modo de vida que consolida uma época histórica como uma MENTIRA. Pergunto: ALGUM DE NÓS - EM QUALQUER MOMENTO DE NOSSAS RETROSPECTIVAS - ACEITARIA SE DENOMINAR UMA MENTIRA EXISTENCIAL? Acredito que não, porém, tenho minhas dúvidas.
Sob o manto do Politicamente Corretos, o Direito protege, muitas vezes, culturas e regras as quais sequer correspondem ao significado da categoria VIDA. Se ainda esse fosse o maior dos problemas, talvez, poderíamos refletir o que está ocorrendo nos fenomenos vitais individuais e coletivos. Para apontar culpados, diria alguns? Novamente, não acredito nessa possibilidade. Não há culpados, mas um acordo de cavalheiros politicamente correto entre Estado (?) e Cidadãos (?) proliferando algo - sinceramente, não tenho uma nomenclatura para essa coisa (Scheler) - no qual representa, QUEM SABE, nosso pior lado. Precisa-se refletir, caso contrário, somente poder-se-ia perceber a partir da queda no abismo. Nesse momento, o irreversível não se mostra misericordioso com a mais nobre das intenções.

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